sábado, 17 de junho de 2017

História da Construção da Capela do Sagrado Coração de Jesus do Sítio Monte


Um exemplo a seguir

Por devoção herdada de seus pais, a Sra. Maria de Lourdes de Sousa (In Memoriam), fez uma promessa através da qual passou-se a celebrar uma missa todos os anos na sua casa, em intenção de todos os que fossem “bons ou maus, mortos ou vivos”. Inicialmente, esta missa era celebrada pelo Pe. Vicente Alves Feitosa, que o fez por cerca de vinte anos, dando lugar a outros reverendos apenas quando sua saúde já não mais o permitia fazê-lo. Outros como o Frei Estanislau José de Sousa, conhecido como o Padre da Mãe Júlia, o Pe. Andriola, o Frei Dalmir e, por ultimo, Pe. José Almeida, deram continuidade às celebrações em favor da promessa da fervorosa devota.

Mais adiante, Dona Lourdes pediu ao seu irmão, conhecido como Antônio Português, para construir um pequeno oratório em frente a sua casa - Como boa devota do Pe. Cícero Romão, ela desejava sentar-se no alpendre e ficar observando a imagem do Padre, que ali fora colocada, e que servisse também para que todos que por ali passassem, pudessem fazer suas orações e preces ao Santo Padre do Nordeste. Na ocasião, também foi construída uma pequena capelinha dedicada a Jesus, Maria e José. Dali em diante, nesta mesma capelinha, passou-se a ser celebrada a novena dedicada à comemoração ao aniversário do Padre Cícero, no dia 24 de março.

Mergulhado neste ambiente de muita fé e devoção, se via o menino Oliveira. Última prole de uma série de onze irmãos, José Oliveira de Sousa acabou por seguir os passos da sua mãe, se tornando assim, mais tarde, um líder religioso e o braço de ferro na construção da capela da comunidade do sítio Monte. Ele administrou a construção daquele templo sempre com muito afinco e assim o faz até hoje na administração do mesmo. Com a visibilidade que ganhou, se tornou influente em meio aquela gente, por isso, não demorou muito e logo se tornara também líder comunitário e político naquela e nas localidades vizinhas.

Início do início

A saga de José Oliveira Sousa iniciou-se em 1994 quando veio a pedir autorização ao então pároco de Caririaçu, Pe. Almeida, para transmitir o evangelho às crianças da comunidade através do catecismo. O vigário não só atendeu de pronto a solicitação, como deu - lhe as orientações pertinentes ao tema, além dos materiais necessários, com os quais passou a ensinar. Inicialmente eram somente aos sobrinhos e vizinhos, porém, mais tarde, esse universo se estendeu e passou a abranger crianças das comunidades dos sítios Portão, Monte, Bananeiras, Izidório e Caboclo.

Em 1997 ajudou a impulsionar as Santas Missões Populares1 que visitava as famílias com a imagem de Nossa Senhora da Conceição e rezava o Ofício da Mãe de Deus2. As Missões foram encerradas em Maio de 1998 quando foi celebrada uma santa missa e a Coroação de Nossa Senhora3, em fronte a sua residência.

No ano seguinte, juntamente com a Professora Neide Vieira Silva, passou a trabalhar também com os jovens, na catequese do Crisma. Eram setenta jovens, ao todo, divididos em duas turmas. Quarenta deles ficaram na sua responsabilidade e recebiam os ensinamentos na capelinha de Jesus, Maria e José, aquela construída por sua mãe. Já os trinta restantes, ficaram a cargo da professora Neide, ela que fez da Escola Severino José de Araújo o lugar de onde proferiria seus ensinamentos.

Os Primórdios

A formação desta primeira turma de crismandos foi, talvez, o passo mais importante para a fundação da capela e tantas outras realizações. Isto porque, foram estes jovens os responsáveis por estes feitos e que, literalmente, puseram a mão na massa que concretizou tudo. Foi através deste primeiro contato que eles se viram atraídos a se unirem e se organizarem e que esta ação certamente seria – e foi – o fator de mudança da comunidade.

Antes disso, já em 1997, na ocasião do encerramento das Missões, em observância a demonstração de empenho e vontade da comunidade, o Pe. José Almeida, logo após a bênção final da missa, convidou-a a escolher o seu padroeiro. Esse convite foi muito importante, pois essa escolha daria a ela a oportunidade de poder participar da grande procissão da noite das comunidades da Festa do glorioso São Pedro, se juntando aos fiéis vindos de seus sítios, por mais longe que se encontrem, trazendo consigo, em andor4, todo ornamentado com flores e tecidos, dos mais belos, as imagens dos seus padroeiros, para reverenciar o seu patrono maior, São Pedro, na sede do município. 

Este acontecimento era um indício que algo de grande valia estaria por vir.  No mínimo incentivava a predisposição daquela gente em galgar seus objetivos, ainda que eles não estivessem definidos ou que não fossem nem cogitados naquele momento. O fato é que também serviu de alicerce para a edificação daquele templo.

Mas foi em 2001 que se deflagraram uma série de eventos que fez deste, um ano de notável relevância, se não o mais importante deles.

Em Junho, de 13 a 22, é celebrada a primeira festa do seu padroeiro, o então escolhido, Sagrado Coração de Jesus. Foram nove noites de intensos louvores e festejos. Logo na abertura aquele povo demonstrou, com veemência, toda a sua devoção. O noitário5 estava a cargo do Apostolado da Oração, sua presidente Maria Rodrigues e mais duas zeladoras, Celina Silva Oliveira e Izabel da Silva Lima. Nele houve uma procissão saindo da matriz de São Pedro com destino ao Sítio Monte. Ao chegar às proximidades do sítio Rua Nova, estava um grande número de pessoas que esperavam ansiosas a passagem do andor, trazido nos ombros por seus confrades da sede, para acompanhá-los no cortejo. Fixado no andor, vinha a imagem do seu santo padroeiro, por sobre as cabeças dos seus seguidores, soberano aos que ali estavam eufóricos e orgulhosos do que seria a origem de uma sublime tradição.

Logo após as comemorações, já no dia primeiro de Julho deram-se início aos trabalhos com a primeira equipe que se preparava para começar a fazer os tijolos que seriam usados para por de pé e materializar os seus sonhos, a Capela para o Sagrado Coração de Jesus. Esta atividade perdurou até o dia 10 de agosto do mesmo ano quando já dispunham de 50 milheiros de tijolos – 50.000 tijolos – Abrindo caminho para o início da construção da capela que se deu no mês posterior, em Outubro.

Ainda em 2001, mais precisamente aos 4 de novembro, foi fundado o Grupo de Jovens JUSM (Juventude Unida do Sítio Monte). Seus membros foram os responsáveis por diversos trabalhos realizados na comunidade, dentre eles, trabalhos artísticos, culturais, eventos sociais, eventos religiosos, encontros com outros jovens de outras comunidades e, por fim, execução do projeto da capela. Neste último, vale salientar a entrega completa dos integrantes nas tarefas que lhes foram incumbidas.


O Erguer, mãos a obra!


O primeiro ato realizado para que se fosse erguido o humilde santuário foi a produção dos tijolos feita pelo próprio grupo, em apenas dois meses, aproximadamente. Um detalhe aqui é que se deve dar destaque ao empenho das mulheres do grupo que trabalharam, no mínimo, de igual para igual com os companheiros de equipe. Feito isso, iniciou-se então a demarcação do terreno e a escavação do alicerce no local escolhido. A pequena capelinha de Jesus, Maria e José seria então substituída pela nova, maior em termos de tamanho - maior até que muitas capelas da região – mas que teve como pedra fundamental a humilde e pequenina que surgiu de uma grande devoção. Um passo adiante, necessitou-se da mão-de-obra de pedreiros para que fossem sentados os primeiros tijolos, a base, sempre auxiliados pelos membros do grupo que nesta fase executavam, sobre tudo, as atividades de servente. 

Sapata erguida e paredes a meia altura, o JUSM volta com força total, munidos de picaretas, pás e carrinhos-de-mão, além de muita alegria e descontração. A ordem agora era fazer o aterro do piso. Ao mesmo tempo em que se cavava o solo de uma parte exterior, onde hoje se cultiva um pequeno jardim, a terra era transportada nos carrinhos por sobre tábuas e tijolos até o interior da obra. Lá ela seria "batida" e quando compactada, estaria pronta para receber o piso. Neste estágio, as celebrações dos domingos, o terço do sábado, a catequese, as reuniões do grupo e vários outros eventos e atividades já eram realizados naquela que seria uma parcela já erguida da capela, deixando o alpendre da residência de José Oliveira, onde eram realizados.

Neste meio tempo, as paredes continuavam a subir, e subiriam até quando se encontrassem prontas para receber o teto. Agora, porém restaram apenas atividades como a própria colocação do teto, o reboco, fazer o piso, manufatura das portas, dos bancos, em fim, no geral, eram trabalhos de acabamento e que, na maioria, necessitavam de mão-de-obra especializada para serem realizadas, e isso exigia mais recursos financeiros do que a os esforços físicos diretos dos membros do grupo. Desta forma, restou para o JUSM mudar sua estratégia e voltar suas atenções para outras práticas que já eram desenvolvidas antes, mas que agora a ocasião as tornaram essenciais. Estas práticas eram leilões, bingos, rifas, pedir contribuição em outras comunidades, além de terem colocado barraca na vaquejada da cidade, plantado roça no sítio Poço de Paus, dentre outras ações. O empreendimento contou também com o apoio e ajuda de muitos amigos e devotos, o que foi indispensável para se chegar ao patamar que ela se encontra hoje, depois de 16 anos do início das obras, em 2017, diríamos está concluída. Tudo isso, mesmo em frente a diversos problemas enfrentados neste espaço de tempo, como a desestruturação dos grupos de Jovens JUSM e Renascer, este último que surgiu do desmembramento do primeiro, a ideia continuou fixa e a andar.


O hoje em dia, vendo com os olhos.


Hoje, a capela do sagrado coração de Jesus, da comunidade do sítio Monte, Portão e vizinhas, está erguida, coberta e completamente revestida, interna e externamente. Possui no piso uma bela cerâmica e nas paredes cobertura de tinta a látex, o teto está forrado com material polimérico, o PVC. No altar, uma réplica do altar da matriz de São Pedro, em menores proporções, é claro. Em dias comuns, podemos encontrar no centro e no lugar mais alto, a imagem do Sagrado Coração de Jesus, tendo do seu lado direito, em uma pilastra, a de Nossa Senhora do Carmo e, em outra, no esquerdo, a de Nossa Senhora Aparecida. Pouco mais abaixo, por sobre uma base ornamentada com flores, em cada lateral, encontra-se uma belíssima luminária composta por pequenas luzes sobre cinzentos mastros de variados tamanhos, que faz-se encontrarem iluminando, quando ligadas, entre a imagem do Coração de Jesus e as da sua mãe. No mesmo nível de altura, porém desta vez, ao centro e mais adiante, geralmente ver-se um vistoso ramalhete de flores, o que também se observa nas laterais, em níveis mais baixos do altar. Logo abaixo deste ramalhete central, se encontra o sacrário, em vermelho abundante e detalhes dourados que contém imagens de uma hóstia resplandecente e erguida de um cálice na sua parte frontal. No Presbitério6, logo á frente, encontra-se  a mesa, simples, mas que cumpre com seus objetivos e do seu lado uma base de madeira usada para apoiar os papéis, livros e bíblias nas leituras. Logo atrás, Vê-se uma cadeira de madeira feita de assento acolchoado e de ricos detalhes, digna de bastante atenção. No mais, nada de anormal, vidraças coloridas espalhadas pelas paredes laterais, suas grandes portas de metal, as portas de acesso à sacristia, o pequeno sino, suas lâmpadas.

O hoje em dia, vendo com a alma.

Hoje, a capela do sagrado coração de Jesus, da comunidade do sítio Monte, Portão e vizinhas, está erguida, coberta e completamente revestida, interna e externamente. Ela traz um misto de sucesso, força, devoção e turbulência. Está marcada pela alegria de quem esteve ali fazendo de trabalho pesado, diversão. Jovens que ganharam um objetivo que lhes deram sentido, vida, amizades, gargalhadas, aprendizado, felicidades, bons momentos e crescimento. Muitas vezes também, encontraram raivas, tristezas, desavenças, separações, lágrimas, desapontamento e crescimento. Hoje ela está lá, erigida, firme. Tirando os que querem voltar, muitos se afastaram nesse meio tempo, muitos se achegaram, muitos se foram e alguns continuam lá, exatamente como ela. Destes, alguns cheios de orgulho e outros sem nem saber qual passe de mágica a plantou ali, nem qual a regou para que crescesse a contento.  



______________________________

- O oratório e a imagem do Padre Cícero, fruto da devoção da Senhora Maria de Lourdes ainda estão lá, erguidos em fronte a sua casa, a poucos metros da estrada, onde hoje é o terreiro da capela, cumprindo seu papel de servir de inspiração para quem ainda passa por ali.


- Ate hoje José Oliveira trabalha na catequese das crianças e jovens da comunidade.


- O Pe. José Almeida que tanto apoio deu a comunidade foi transferido para outra paróquia.

- A procissão saindo da sede da cidade até o Sítio Monte perdura até hoje, sendo que agora ela é realizada sempre na tardinha do último domingo da festa do Sagrado Coração de Jesus, antecedendo a missa de encerramento.

- Agradecimentos a Oliveira, agora meu compadre então, ao compadre Oliveira, que disponibilizou a leitura na qual usei como base para escrever este artigo. Tal texto de sua autoria foi escrito e declamado em missa festiva dos 10 anos da construção da Capela do Sagrado Coração de Jesus do Sítio monte.




1Santas Missões Populares - As missões populares na Igreja Católica consistem em uma série de pregações, palestras e celebrações dirigidas ao povo cristão, com o objetivo de avivar-lhe a fé e a vida cristã e impulsionar a vida comunitária nas comunidades paroquiais e comunidades eclesiais.

2Ofício da Mãe de Deus – Oração escrita originalmente em latim, na Itália do século XV, pelo franciscano Bernardino de Bustis, com o intuito de proteger a doutrina da Imaculada Conceição dos inúmeros ataques que vinha sofrendo da parte dos hereges desde o século XII.

3Coroação de Nossa Senhora - Solenidade que objetiva saudar, louvar e honrar a Virgem Maria, reconhecendo a Sua Maternidade Divina e sua Maternidade Espiritual da humanidade.

4Andor - Padiola portátil e ornamentada na qual se transportam ao ombro as imagens nas procissões.

5Noitário – Cada dia de uma novena nos festejos do padroeiro de uma localidade.

5PresbitérioLugar onde fica o altar, o presidente da celebração, ministros, leitores e coroinhas. Em geral é mais alto, separado por um ou mais degraus da parte da Igreja onde fica a assembleia.

domingo, 1 de novembro de 2015

Isaías do Arrocha: é talento nosso, é de Caririaçu.

Olá, há quanto tempo. Já faz alguns meses que não me meto a escrever neste mísero. Confesso que talvez não voltasse tão brevemente, porém encontrei algo nas minhas andanças pelas conexões da rede que me fez vir aqui e deixar algumas mais das minhas palavras frouxas e sem titubeantes.
Não quero prolongar minhas palavras, até porque quero chamar atenção apenas para o vídeo que se segue. Alguém me perguntou “se tinha visto o vídeo do menino de Caririaçu que tinha uma voz muito bonita.” Não, não o conhecia, mas a partir do momento que tive a oportunidade, decidi compartilhar tal vídeo e faço isso por alguns motivos, a saber: 1 - Sem sombra de dúvidas ele é um talento; 2 - É da nossa cidade; 3 – A clara determinação do garoto que tem um sonho grandioso diante de sua realidade simples.
Por fim, um quarto motivo é que me senti na obrigação de fazê-lo por que vi nele a imagem de muitos dos nossos que sonham e que nunca tiveram qualquer oportunidade. Eu mesmo já conheci talentos semelhantes que tiveram suas chamas apagadas com o passar dos dias. Creio que se a dez ou doze anos atrás a internet fosse tão popular como hoje, com sorte, estes poderiam ter tido destinos diferentes perseguindo seus sonhos. Não que espere uma grande repercussão através do meu ato, mas espero que dois ou três acessos no vídeo advindos da minha atitude já possa representar um algo amais na trajetória dele. Caso queiram, compartilhem também e contribua com isso.


Conheça mais da história do menino Isaías

Vídeo em que canta música para sua mãe >>> https://youtu.be/6tIozH7TGI4




É isso. Até a próxima!


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Semana Santa: Que bom seria se meu filho tivesse medo de caretas!

Há fatos da infância que a gente não esquece jamais. Assim como há épocas, tradições e acontecimentos que sempre nos trará aquela nostalgia boa. Como ouvir uma velha música, trilha sonora de um tempo bom.
Quando menino, por essa época dos caretas, não tinha quem me fizesse sair na estrada. Tinha um medo medonho dos temíveis e brutais caretas, capazes de fazer coisas terríveis e horrendas com as criancinhas que ousasse a sair de casa na Sexta-feira da Paixão. Elas seriam julgadas sem direito a apelação: açoite! Chibatada no lombo.
A semana santa, naquela época, era um tempo que misturava prazeres e coisas que não agradava muito, se é que vocês me entendem. Um dos fatos que me cativava um pouco era a “Quarta-feira de Trevas”, único dia do ano em que minha mãezinha querida não se esgoelaria me mandando tomar banho antes que o negro da noite tomasse conta de tudo. Claro, o sucesso só vinha após as ameaças feitas ao tremulinar o chicote nas mãos.
Apesar disso, me trazia agoniação pensar que com qualquer descuido que desse com qualquer gotícula d’água, durante aquelas vinte e quatro horas, que viesse a tocar o meu corpo e, principalmente as minhas pernas, eu estaria fadado a ficar petrificado para o resto dos meus dias. Meu maior medo era que a cólera atingisse as pernas. Não poder andar seria o pior dos castigos para um moleque que vivia no sítio em meio a tudo de bom que estava ali se oferecendo para ser explorado, desmistificado. Quer dizer, seria o segundo pior, só perdia para os açoites dos Caretas. Nada era pior do que aquilo.
Por essas e outras que na quarta e na sexta da Semana Santa, sempre jejuava de alguma coisa. Ou não tomava banho, ou não saia de casa, respectivamente.
O banho era fácil resolver, não havia contraposição por parte de ninguém, afinal, todos queriam respeitar os costumes, mas em se tratando de sair de casa, aí não havia jeito. Acontece que justamente aquele dia era o dia de dar a bênção às madrinhas. Justo naquele dia. Queria saber quem foi o engraçadinho que inventou esta tradição. Será que não poderia ser no sábado? Ou mesmo no domingo, um dia tão belo em que Jesus ressuscitou?
Antes que eu me esqueça, o “dar a bênção às madrinhas e padrinhos” era um outro detalhe que muito me contentava. Não que eu fosse interesseiro, isso nunca, mas morria de ansiedade pra saber o que ganharia naquele ano. Ano passado ganhei uma camisa; no outro, um short; no retrasado, um perfume talvez, sei lá, nem lembro mais, faz muito tempo. Valia a pena correr todo o risco de se abalroar com aquela gangue do mal para ir até aos meus padrinhos levando uma lembrancinha singela a eles e, claro, trazer de volta a minha, junto com a bênção que me davam. Acho que nem lembro mais das palavras que dizia quando, encontrando-os, ao prostrar-me diante deles, eu dizia:
            - Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, seguido do pedido de bênção.
Aos cangaceiros encaretados, nunca vi coisa mais feia. Um bando de “cabra” e suas faces encobertas com uma careta feita de papelão, perfurado em quatro lugares, olhos, nariz e boca, com chifres e toda suja de carvão. Vestidos feito bichos com sacos e trapos velhos. Na cintura levavam um chocalho que anunciava o terror e nas mãos os seus chicotes dolorosos e sangrentos. Aquela imagem e aquele som me doíam à espinha!
Só tinha uma coisa que me deixava encucado. Eu não conseguia entender, como animais brutos e desprovidos de compaixão como eles, poderiam ter uma voz tão estranha. Não me entrava na cabeça que aqueles que tanto medo me dava só de ouvir dizer, quando abriam a boca falavam fino. Isso mesmo, fino e baixo como uma donzela tímida. Não era possível. Ouvia-se sempre o mesmo pedido:
            - Me dê uma esmolinha pro Juda! Isso, claro, fino e baixo, como uma cigarra sem voz.
Infelizmente, talvez esse detalhe em que me peguei a pensar tenha sido quem me tirou a inocência do medo. Infelizmente mais tarde descobri que aqueles eram só os vizinhos e amigos da redondeza brincando de tradição. Que aquele tal Judas para quem eles pediam com suas vozes irreconhecíveis, era um boneco que estaria, no domingo, pendurado no centro de uma roda em volto a tudo que lhe foi dado, o que, pouco a pouco, seria levado, ou “roubado”, pelos participantes da brincadeira, que entraria na roda e levaria o que quisesse ou pudesse pegar, sob chicotadas de todos os tamanhos e forças. Sob pena do açoite. Nisto eu estava totalmente certo, o açoite existia sim, mas era parte da festa e, graças a Deus, as crianças estavam fora dela. Por último restaria o Judas, o prêmio maior. Quem se atreveria a roubá-lo?
Bom seria poder ver meu filho vivenciar tudo isso também!


domingo, 15 de março de 2015

Muda Brasil! Se não mudares, mudaremos por você!


Acordar cedo, de ressaca, após ter tomado umas “geladas” num barzinho, ao assistir o jogo do meu time do coração, que, aliás, teve uma vitória emocionante na noite de sábado, com uma ajudinha do juiz, no gol feito com a mão pelo nosso artilheiro. Ele, o juiz, não percebeu o jeitinho dado pelo gênio atacante e fomos campeões da liga estadual em cima daquele timinho de várzea com sonhos de ser grande. (Risos) Onde já se viu um “timéco” do interior querer ganhar alguma coisa contra os grandes da capital?! O melhor da noite foi que o garçom esqueceu de cobrar os petiscos e eu ainda trouxe para casa um copo bacana pra tomar com os amigos naqueles churrascos que sempre fazemos.
Mas vale o sacrifício, sou brasileiro e não desisto nunca, nem de ressaca (Risos)! Vamos levantar, tomar um banho gelado e rápido (afinal, estou pagando uma nota na energia e, além disso, o país esta passando uma crise de água), se vestir e pegar o “busão”. Até poderia ir de carro, porque, graças a Deus, trabalhei muito nos últimos anos e, em fim, consegui financiar um bem naquela época que baixaram o imposto, lembra?! Aliás, nos últimos anos o Senhor me abençoou muito, estou fazendo engenharia e minha mãe, que mora lá no interior, depois de anos de aluguel, conseguiu um cantinho pra morar. De qualquer forma não compensa, ir de ônibus sai mais barato e depois, o quê que vou fazer se acontecer alguma coisa com meu carro lá?! Não dá para confiar, não é?!
Nossa, o ponto de ônibus esta lotado! Parece que todos pensaram da mesma forma que eu. Se aqui está assim, imagina no ônibus?! (Risos) Normal, um dia a mais ou a menos, vale o sacrifício, sou brasileiro! Todos os dias já são assim mesmo, três ônibus superlotados pra ir e três pra voltar.
Lá vem mais um ônibus, só espero que desta vez, pelo menos, possa colocar um pé para dentro, o que não aconteceu nos três últimos que passaram. Esses coletivos são uma comédia, o cara faz de tudo pra conseguir sentar e, uma vez na vida e outra na morte, quando consegue o incrível feito, chega uma mulher grávida ou um velho ranzinza e fica olhando com cara de quem comeu e não gostou querendo o meu lugar. Finjo que estou dormindo (Risos)! Desta vez, pelo menos, estava tão tumultuado que acabei passando e o cobrador nem percebeu. Ganhei uma passagem, hoje é o meu dia de sorte. Ah, mas também estou a serviço da pátria, eles nem deveriam esta cobrando! Melhor que isso, só se encontrasse algum celular daqueles pagos em 48 prestações perdido por algum desavisado aqui dentro. Aí sim, eu iria trocar pelo meu que depois de seis meses já deu o que tinha que dar, e poderia dizer plenamente que hoje é o meu dia, dando graças a Deus por isso.
Enfim, chegamos. Quanta gente pensa igualzinho a mim! Hoje é um dia histórico, vamos mudar o Brasil! Todos gritam contra o Governo, seu partido e seus políticos. Queremos o impeachment (Que palavra bonita, acho que não sei nem escrevê-la!) (Risos)! Como que conseguiram votar e elege-los nas últimas eleições? Queremos punição para os corruptos, por isso somos a favor das investigações! Queremos que baixem os impostos! Que o país volte a crescer! Que a inflação não suba! A estatal é nossa, devolvam-na!
A cada instante chegam mais e mais pessoas. Acho que estão vendo a cobertura da mídia sobre o que esta acontecendo e, por isso, estão vindo. Legal, quanto mais pessoas, que pensam exatamente como eu, claro, sem se deixar influenciar por nada e nem ninguém, melhor.
Vou tirar umas selfies aqui pra mostrar que vim e sou politizado. Lógico, vou tentar postá-las agora mesmo, isso se minha rede móvel deixar (Risos). Se precisar uso aquele aplicativo pra descobrir senhas de wi-fi alheias (Risos).
“Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor!”, esse canto me lembra da copa do mundo e os jogos da Seleção Brasileira e isso me emociona muito, assim como o hino nacional.
Sabe o que é melhor? Tudo esta correndo na santa paz. Diferente do que aconteceu antes, nenhum sinal de vândalos, de violência e de quebra-quebra (Acho que desta vez eles resolveram não vir!). Depois dizem que europeu é que é educado (Risos). A tevê vive mostrando os atos de lá e a baderna é geral. Esta é a forma correta de se fazer as coisas, acho que assim vamos conseguir o que queremos.
            Só pra lembrar o que queremos, eu e todos esses que pensam como eu: Queremos um Brasil melhor! Queremos respeito. Não é justo que esses canalhas façam o que querem e não fazermos nada. Somos a maioria aqui, somos nós que mandamos e o país tem que refletir o que somos, o que fazemos, a nossa cara. Ele não pode mais continuar nesta bagunça!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

2 anos e a Alegria continua conosco!

Saudade de você!

Alegria, os sopros da serra não mais nos tocam com seus lábios gélidos. Se foram. Após esse tempo, tudo ficou mais distante, diferente. Você faz falta. 

Se não tivesse ficado em nós, se não tocasse em nós, se não viesse até nós a todo instante, o teu sorriso, a tua pessoa, certamente lhe chamaríamos, agora, de SAUDADE. E assim diríamos: “Saudade, suas brincadeiras fazem falta. Os fins de semana não são os mesmos. Os dias jamais serão. O futebol não é. Falta-nos aquela criança que nos levaram”. 

Mas, você esta aqui, nas nossas memórias, nos nossos encontros, nas nossas conversas, nas lágrimas. E é por isso que nunca deixará de ser o que sempre foi, assim sendo, sempre o chamaremos: ALEGRIA. Assim o guardaremos nos nossos corações: em forma de sorriso... De um largo sorriso seu!

Muita saudade de você Cicélio!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Paixão de Cristo 2014 - Sítio Monte, Caririaçu, Brasil

Estas imagens chegaram até este mísero através de uma rede social. Nos foram enviadas pelo grande amigo Oliveira Sousa e através de outra amiga Núbia Silva!


Trata-se de uma pequena amostra da encenação da Paixão de Cristo da comunidade do Sítio Monte que voltou a ser realizada em 2014 depois de muito tempo. Estas fotos representam um misto de nostalgia para os que já fizeram parte disto e alegria por ver uma nova formação de jovens darem continuidade a este evento que tanto nos fazia felizes. Que este seja apenas mais um!

[Clique na imagem para vê-la em tamanho maior!]








terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Bolsa do Povo x Bolsa Família: qualquer semelhança é mera coincidência!

COKDT-dinA Notícia…

“A câmara municipal de Caririaçu aprovou na sexta-feira (13) por unanimidade o Projeto de Lei Nº 039/2013, que institui o Programa “Bolsa do Povo””.

Uma familiarização…

Neste ano de 2013 o “Bolsa do Povo” nacional, o Bolsa Família, completou 10 anos por debaixo de muitas críticas e, é claro também, de muitas outras opiniões a seu favor. Neste meio tempo, já são atendidas cerca de 50 Milhões de pessoas, cerca de 1/4 dos brasileiros, número que diria ser  bastante expressivo. O que preocupa agora à administração deste programa de transferência direta de renda é a permanência destas, que teoricamente, após algum tempo, deveriam deixar o programa e caminhar com as suas próprias pernas, depois de algum tempo usufruindo do benefício, ou seja, que essas pessoas deixassem, literalmente, a miséria.

Eles não contavam que seus beneficiados pudessem dar uma rasteira nas suas expectativas e se acomodassem com aquela realidade de ir à lotérica mais próxima, no dia correspondente ao pagamento do final do número do seu cartão e pronto. Este lado acomodado de alguns realmente se tornou uma das causas do problema, mas não a principal a que mereça toda a atenção. As coisas não são tão fáceis assim.
Fazendo uma análise do cenário ao qual se encontravam essas pessoas por volta do fim dos anos 90, quando o então presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso), criou todas as suas “bolsas” que foram aglomeradas mais tarde, em 2003, pelo seu sucessor, o Lula, podemos ter uma noção de uma possível causa da dependência delas pelo programa. Para isso devemos nos perguntar primeiro algo do tipo:

Por que estas pessoas viviam em extrema pobreza?

Trazendo agora para a nossa realidade, que acredito ser comum em muitos dos pequenos municípios da nossa e de várias outras regiões do interior do Brasil, atribuo este fenômeno à escassez de renda, ou da fonte dela.(…Descobriu sozinho!)

Qual era a principal fonte de renda do nosso município naqueles anos?

Acho que a resposta não é tão difícil. Basta que prestássemos atenção no período do mês em que o comércio se encontrava aquecido, este que era justamente no início, quando os aposentados e pensionistas recebiam seus salários. Fora isso, a economia  do munícipio, compostas na sua maioria por trabalhadores da agricultura familiar, era movida a duras penas pelo salário pago pela prefeitura aos seus servidores e prestadores de serviços e pelo comércio local, além de  atividades como a da cultura sisaleira, que era a renda pela qual muitos dos agricultores se rendia nos períodos não favorável a sua habitual agricultura, o artesanato, dentre outras.

E Hoje?

O Bolsa Família não é o problema, nem a solução dele. Trata-se apenas de uma ação paliativa de suporte à outras ações que deveriam criar fonte de renda para as famílias assistidas por ele. E é aí que está o problema. Faltou as outras ações, as que dariam a tão sonhada independência para estes brasileiros. Vejam que o nosso município ainda depende da folha de pagamento do paço municipal (o que explica muitas outras coisas!). Além do mais, o sisal se esvaiu aos poucos juntamente com o artesanato e muitos outros meios de renda, e, ao que tudo indica, foi o Bolsa Família, o maior responsável por isto, assim como também pelo avanço moderado do comércio. De qualquer maneira, a menina dos olhos continua sendo, novamente, os aposentados e pensionistas do INSS, os vovôs, vovós e viúvos amados.

Só agora, talvez tardiamente, é que o governo vem tentando emplacar outros programas de educação técnica e profissionalizante e de incentivo ao microempreendedorismo, como complemento para o BF, o que logicamente não deixa de ser válido principalmente no caso do empreendedorismo. Já no caso da qualificação, apesar de ser importante e válido, acaba, muitas vezes, esbarrando no que fazer após sua conclusão.

Onde eu quero chegar?

Não adianta tentar que o povo mude sua postura se não se oferece oportunidade. A contrapartida deveria ser dada, talvez até pelas outras esferas do poder,  como estados e prefeituras, na criação de novos empregos e na melhoria das condições dos já existentes. No fomento às pequenas e médias empresas que são as que realmente geram trabalho para a população, e não dar isenção  de imposto de trezentos anos para multinacionais descomprometidas com a sociedade na qual estão inseridas e que, quando findo este período, sumirão (para a puta que os pariu), deixando centenas de trabalhadores a verem navios. Às prefeituras cabiam a identificação e o incentivo das atividades econômicas a que a  sua região mais se identificassem, criando assim cooperativas para ampliar os horizontes destes trabalhadores. Deveriam se debruçar por cima de ideias de como ajudar a escoar os produtos que são produzidos nos seus limites, buscar entidades para qualificar estas pessoas nas suas respectivas áreas, para orienta-las. Ou, pelo menos, em ultimo caso, dar uma educação básica, saúde, saneamento, e um transporte digno para que, esses senhores e senhoras, pudessem se deslocar às cidades vizinhas de maior porte, em busca de trabalho sem que precisem se mudar definitivamente, evitando assim outros possíveis transtornos para suas vidas. Porque, ao contrário do que muito “sulista” pensa e fala, a grande maioria dessa gente sonha, e sonha alto, está sempre correndo atrás dos seus objetivos, fazendo uso da sua força motriz chamada trabalho. Além disso, dizer que, nos tempos de hoje, uma família consiga viver dignamente com a quantia oferecida pelo BF é no mínimo ignorância, ou hipocrisia de quem não gostaria de trocar de lugar com ela. 

...O Bolsa do Povo

Certamente, Caririaçu não foi a única cidade brasileira onde seus gestores tiveram a brilhante ideia de criar sua “bolsa” exclusiva. Apesar da ampla divulgação da aprovação do projeto na internet e das minhas buscas por ela acerca de mais informações não obtive acesso ao conteúdo completo da Lei Nº 039/2013, que institui uma bolsa de R$ 80,00 mensais para famílias com renda per capita não superior a 25% do salário mínimo nacional. Gostaria de saber efetivamente de onde sairá este montante, e quais são as estimativas de quantas famílias serão beneficiadas e qual o valor final da conta. Bem especificamente sobre ela,  o que tinha pra falar, já foi dito acima. Apesar de ser algo a mais, é figura repetida e, neste caso, o papel do executivo municipal era a criação “das outras ações” já citadas, que representariam melhores condições aos seus munícipes e uma ascensão em cascata para todos. Para isso, há muitas opções que infelizmente, por conta de mentes pequenas, e, muitas vezes, politiqueiras, acabam deixando-se passar, porque na grande parcela das vezes, desejam apenas o bem para si próprio.

Quero acreditar que essa não seja uma ação eleitoreira, nem de politicagem aponto de tentar escolher partidariamente que tem e quem não tem direito a ela. Devo acreditar que este, que foi o maior e mais importante projeto idealizado no plano de governo da atual administração no pleito passado, não virá com propósito esdrúxulo de vender um peixe. Afinal de contas, a sua votação na  câmara municipal foi tranquila, uma mansidão!

Maiores informações:

sábado, 17 de agosto de 2013

Caririaçu 137 anos, Que Deus a abençoe… Sempre!

Bandeira_CaririaçuOKDT

Estive por algum tempo distante disto tudo aqui, porém como numa forma de instinto, alguma coisa me fez voltar. Me trouxe de volta no tempo certo de lançar um desejo, a Deus, aos deuses, ao cosmos, sei lá: Caririaçu muitas Bênçãos para você, seu povo, sua gente.

A propósito, acho que nem sei bem do que estou falando. O Wikipédia (A enciclopédia livre), me disse que a bênção constitui um desejo benigno e sugere efeito no mundo espiritual, afetando o mundo físico, para que, assim, o desejo se cumpra. Deu um nó nos “miólos”, mas tudo bem, quem (além de estudantes preguiçosos), vai dar credibilidade ao Wiki (sentiu a intimidade?)? Fique com a definição empírica de seus pais para, como soa aos nossos ouvidos, a “bença”, e que seja esta também a do meu desejo para a cidade que há 137 anos habita o cume da Serra de São Pedro e ao município que se estende por vales, planícies, rios, riachos, matas e vários outros topos de serras, onde se encontram seus filhos nas suas casas, seus sítios, suas vilas, suas vidas; seus costumes, suas crenças, seus medos; suas alegrias, suas tristezas, suas dores. Em suma a cidade é todo esse mundo. Então que seja um mundo inteiro de bênçãos, e se não o for, se for apenas um Jardim, que seja, desde que esteja um jardim molhado¹ de bênçãos.


¹Alusão ao título da música do cantor caririaçuense João Kior: Jardim Molhado do Sertão
Fontes citadas: http://pt.wikipedia.org/Bênção

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Pe. Vicente: Chegada de seu corpo à matriz de São Pedro

Vídeo mostra a chegada do corpo do Monsenhor Vicente Alves Feitosa à matriz de São Pedro. Nos braços do povo que ele mesmo conduziu por 41 anos, e não mais o abandonou desde então. Na noite de ontem adentrou pela última vez no seu templo, ele que de agora por diante será sua morada eterna. Paz e Bem, Pe. Vicente. Vai em Paz.







>>>Vídeo Por Alexandre Silva

terça-feira, 7 de maio de 2013

Cicélio Sales Rocha - 07/05/2013, Um Ano de Saudade




Por Joice Rocha

 

E se completa um ano sem você! Não ouvimos mais sua voz, não sabemos o que se passa em seu coração, não ouvimos teus planos, não temos mais a tua presença nas ocasiões de família.
 
Cada um daqueles que você deixou caminha para buscar o seu próprio destino. O vazio que ficou após sua partida, aqueles que te amam jamais poderá esquecer!
 
Hoje lamentamos muito a tua ausência e quando nossos corações não suportam tanta saudade, deixamos que nossos olhos nos ajudem a amenizar a dor.
 
Caminhamos unidos, dando um passo a cada dia. Vivemos cada momento pensando que você gostaria de nos ver com a mesma alegria que transbordava de você... Mas não superamos sua ausência, convivemos com ela. 

Você marcou a vida de todos aqueles que te conheceram a nossa principalmente, pois era do seu lado que víamos uma pessoa que sempre estava feliz com a vida, com um sorriso no rosto, com brincadeiras, com palavras carinhosas e conselhos bem pensados. É com a tua imensa alegria que queremos viver, haverá momentos que iremos chorar sim, somos humanos que vivemos momentos ruins e bons. 

Lembro-me que você chorava até nos momentos de mais pura alegria. Choramos com a alegria que nos invade a mente quando lembramos de você. 
 
Você sempre estará em nossos corações... ETERNAS SAUDADES.



Veja Ainda >>> A Alegria de um Anjo - HOMENAGEM (07/05/2012)


domingo, 10 de março de 2013

Costumes: O “Dar a Benção” e a relação de respeito ao qual nos remete

Pedir a bênção, ou dar a bênção, é um costume muito tradicional em várias regiões do Brasil, sobretudo, no interior do Nordeste. Hábitos como este estão arraigados nas memórias das famílias e na experiência dos seus patriarcas, responsáveis pelo processo de transferência das suas práticas adquiridas ao longo da vida para os seus. Estas que, da mesma maneira, foram recebidas dos seus pais, avós ou até pelos mais velhos da comunidade, que fizeram parte do seu convívio no passado, e que claro, como hoje mesmo contam, prezavam muito por respeito, principalmente, dos mais jovens para com os que viveram “alguns janeiros” a mais que eles. 

A bênção é um sinal de respeito. Por aqui, pelos altos das Colinas de São Pedro, ela ainda povoa os hábitos de muitas famílias. Os filhos pedem-na aos pais, os netos aos avós, afilhados aos padrinhos e sobrinhos aos tios. Mesmo que nunca tenham se visto na vida, o primeiro contato será sempre este, e se não o fizer, alguém logo trata de tomar partido: “- Você já deu a benção?”. Aliás, se apenas destes, depender a perpetuação desse rito, certamente a sua extinção não ocorrerá tão cedo. Prova disso, é a repreensão que costumamos receber quando não cumprimos com nossas obrigações:
- “Num” tem mãe mais não? Cadê a benção?  
E quando finalmente atendemos a exigência:
 - “Bença” mãe?!
Responde:
 - Deus te dê vergonha!


Geralmente pedimos a benção usando os mesmos termos: “Bença pai!”, “Bença mãe!”, a resposta é que às vezes varia. Por exemplo, quando se toma a bênção de um bebê ainda pagão, muitos dizem: “Deus te leve pra pia!” (Obviamente, trata-se da pia batismal!); crescido mais um pouco, diz-se: “Deus te crie para o bem!”; após, generaliza-se em: “Deus te abençoe!”; ou variações como: “Deus te faça feliz!” e “Deus te dê boa sorte!”, dentre outras. 

Pede-se ou dar-se a bênção à noite, antes de dormir, e ao levantar-se; também quando se chega, quando se sai ou quando se encontram em qualquer que seja o lugar. Nos últimos casos, o diálogo, ou mesmo quando este não venha a ser iniciado de fato, precede-se sempre com o pedido, seguido da rogação de que Deus lhe venha abençoar. Isso, simultaneamente a um forte aperto de mãos que sela a troca de respeito entre as partes. Em alguns casos, ainda seguras uma a outra, beija-se a parte externa da mão um do outro em um gesto maior de admiração. Mesmo quando a ocasião não permite a eventual aproximação, é comum que se estenda a mão aberta na direção um do outro, em um ato que, simbolicamente, se equivale ao aperto de mãos. 

Mais do que um simples gesto, apesar de muitas das vezes o realizarmos de maneira empírica ou aleatória, sem dar as devidas atenções, as bênçãos de cada dia serve para lembrarmos respeitosamente dos familiares que nos cercam e da sua importância na nossa existência. A mãe que abençoa quando o filho retorna a sua casa, na verdade pode esta dizendo, em outras palavras: - Seja bem vindo, meu filho (a). E da mesma forma na saída, no apertar do seu coração: - Vai com Deus, Deus te acompanhe.

Atos como estes fazem parte da nossa identidade enraizada na simplicidade de valores nascidos através da percepção de nossos antepassados. Se para muitos, não passam de caretices do passado, se visto mais de perto, faz-nos perceber, a grandiosidade desses valores que são transmitidos através dele, ou seja, sua essência, que pelas mudanças comportamentais e inversões de valores, principalmente dos jovens “modernos”, perdem cada vez mais força.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Nós Precisamos de Heróis?

Outro dia li um título que encabeçava um artigo de jornal, o qual trazia a negativa de que não necessitaríamos de heróis. Sem pensar em mais nada, nem ler o que via adiante daquela frase, me deixei levar pelos meus precipitados pensamentos que logo trataram de dar um contexto para aquilo que via através dos meus olhos, o que ainda nem tinha lido; se não, a reformulação do mesmo ao meu bem querer. Nesta ocasião, diria eu, que fui traído por mim mesmo, ou pelo meu pensar, que de tão torto, deu-me uma interpretação longínqua do que me era exposto naqueles dizeres. Apesar disso, reitero que de tudo não me foi apenas prejuízo, já que dele vali-me para constituir o rótulo, que lhes esta exposto acima. 

Enfim, quando deixei correr meus olhos por aqueles traçados foi que me dei por conta do real comunicado que, insistiam a me passar. Acho que nunca foi tão difícil para uma escrita meter numa cabeça o que realmente queriam expressar (nada de surpresas aqui, já que essa era a minha!). Ao fim da leitura, agora inteirado de fato, posso dizer que, em termos gerais, o autor referia-se ao feito, ou a mania, de darmos voto de heróis àqueles que, mesmo em atitudes louváveis ou evidenciáveis, nada mais fazem que cumprir o seu próprio dever, o que lhes é incumbido. É o caso, por exemplo, de um cidadão que por ventura encontre uma determinada quantia e que posteriormente venha a devolvê-la ao seu verdadeiro dono. Não era de se esperar outra atitude da parte dele, porém, talvez pela inversão de valores a qual vivemos, acaba por se tornar algo, de surpreendente a incomum. 

Uma coisa é ler e entender o que se balbuciou, outra bem diferente é imaginar ou desejar encontrar algo lá, que na verdade não se tem. Assim me encontrei diante daquela página, não frustrado, pois, se é que possui alguma valia o que me meto a dizer agora, este era um ótimo artigo; de um profissional, claro; mas inconsolado pelo impacto que esperei e não me veio. Por isso foi que decidi juntar algumas meias palavras do meu desafortunado vocábulo, no intuito de passar o que me encobriu a mente na leitura daquela frase, para você, paciente leitor, que por fazer grande uso desta virtude, conseguiu chegar até aqui, e que, creio eu, com mais alguma, poderá seguir até o próximo parágrafo, no qual partilho minha reflexão. 

O “Herói” do meu Letreiro na verdade é um ser similar aos heróis da ficção, com algumas poucas diferenças, é claro; e é claro também, que elas estão a favor dos superpoderosos que nos acostumamos ver nos cinemas. Noutra oportunidade, em [Nem Vou Falar de Política], falei algo sobre “como se criar um coitado”. Pois bem, a receita para se criar um tal “herói” parte do mesmo princípio, só que desta vez, em ordem inversa e empurrando-o goela abaixo. Perdoe-me a eloquência das palavras anteriores, elas exprimem mais do que o necessário. Esse “goela abaixo” é, na verdade, mais manso do que se pode imaginar.

As pessoas, não me pergunte o porquê, mantêm um sestro de criar os seus imortais e se prostrar aos seus pés como se fossem divindades. De qualquer maneira que esteja, por pior que esteja, sempre prevalecerá a lei do amém. Todo sopro vindo da sua boca, toda decisão, toda ordem; cumpra-se tudo! Parece existir uma necessidade absurda de se ter algo, ou alguém, acima de si. Claro, em grande parte, desde que estes estejam, também, suprindo suas necessidades, de sorte que a maioria são de gosto particular. 

Sim, porque tais heróis estão por toda parte, respeitados, bajulados e vistos bem mais do que necessário; e se revezam neste posto. Deveria ser surpreendente a maneira com que tudo acontece. Diria que no decorrer de algum período qualquer, pré-determinado, nascem-se uns quaisquer que em meio tempo tomará posse do trono e prestígio de um ex-herói, dantes elegido e aclamado, agora gozando de declínio mórbido. Mal que, certamente, ou melhor, com certeza, também falecerá esse novo ciclo. Sim, meus caros, um novo ciclo que se sobrepõe por sobre o antigo, ao nascer, que crescerá e, como já disse, padecerá da mesma cólera. São ciclos errantes, esses, que nascem e morrem. No último caso, para alguns se perpetuam, pois se se foram hoje, amanhã estarão embainhados na bainha de um outro herói que ajudará a maquiar em outra oportunidade. 

Para esses, e para os próprios heróis, o fictício representa situações reais, tangíveis, propícias ao seu bel prazer. Para os tantos outros, o clamor, a ladainha se perpetua. A reciprocidade cuida em estabelecer seus cuidados. Desses outros, têm-se a convicção de antes, de ciclos antigos, vagos, talvez, até frustrantes, expressada por palavras firmes, de apoio, de entrega, de esperança. Esses mesmos, induzidos, exaltam os heróis de agora, como os repudiaram noutro dia, ao mesmo tempo em que massacram os ex-heróis com a mesma boca e mesmos membros que o louvaram dantes.

Fica a questão, então. Precisamos destes heróis? Ou ao menos, precisamos endeusa-los?


Foto: Luizhim (www.flickr.com)