domingo, 10 de março de 2013

Costumes: O “Dar a Benção” e a relação de respeito ao qual nos remete

Pedir a bênção, ou dar a bênção, é um costume muito tradicional em várias regiões do Brasil, sobretudo, no interior do Nordeste. Hábitos como este estão arraigados nas memórias das famílias e na experiência dos seus patriarcas, responsáveis pelo processo de transferência das suas práticas adquiridas ao longo da vida para os seus. Estas que, da mesma maneira, foram recebidas dos seus pais, avós ou até pelos mais velhos da comunidade, que fizeram parte do seu convívio no passado, e que claro, como hoje mesmo contam, prezavam muito por respeito, principalmente, dos mais jovens para com os que viveram “alguns janeiros” a mais que eles. 

A bênção é um sinal de respeito. Por aqui, pelos altos das Colinas de São Pedro, ela ainda povoa os hábitos de muitas famílias. Os filhos pedem-na aos pais, os netos aos avós, afilhados aos padrinhos e sobrinhos aos tios. Mesmo que nunca tenham se visto na vida, o primeiro contato será sempre este, e se não o fizer, alguém logo trata de tomar partido: “- Você já deu a benção?”. Aliás, se apenas destes, depender a perpetuação desse rito, certamente a sua extinção não ocorrerá tão cedo. Prova disso, é a repreensão que costumamos receber quando não cumprimos com nossas obrigações:
- “Num” tem mãe mais não? Cadê a benção?  
E quando finalmente atendemos a exigência:
 - “Bença” mãe?!
Responde:
 - Deus te dê vergonha!


Geralmente pedimos a benção usando os mesmos termos: “Bença pai!”, “Bença mãe!”, a resposta é que às vezes varia. Por exemplo, quando se toma a bênção de um bebê ainda pagão, muitos dizem: “Deus te leve pra pia!” (Obviamente, trata-se da pia batismal!); crescido mais um pouco, diz-se: “Deus te crie para o bem!”; após, generaliza-se em: “Deus te abençoe!”; ou variações como: “Deus te faça feliz!” e “Deus te dê boa sorte!”, dentre outras. 

Pede-se ou dar-se a bênção à noite, antes de dormir, e ao levantar-se; também quando se chega, quando se sai ou quando se encontram em qualquer que seja o lugar. Nos últimos casos, o diálogo, ou mesmo quando este não venha a ser iniciado de fato, precede-se sempre com o pedido, seguido da rogação de que Deus lhe venha abençoar. Isso, simultaneamente a um forte aperto de mãos que sela a troca de respeito entre as partes. Em alguns casos, ainda seguras uma a outra, beija-se a parte externa da mão um do outro em um gesto maior de admiração. Mesmo quando a ocasião não permite a eventual aproximação, é comum que se estenda a mão aberta na direção um do outro, em um ato que, simbolicamente, se equivale ao aperto de mãos. 

Mais do que um simples gesto, apesar de muitas das vezes o realizarmos de maneira empírica ou aleatória, sem dar as devidas atenções, as bênçãos de cada dia serve para lembrarmos respeitosamente dos familiares que nos cercam e da sua importância na nossa existência. A mãe que abençoa quando o filho retorna a sua casa, na verdade pode esta dizendo, em outras palavras: - Seja bem vindo, meu filho (a). E da mesma forma na saída, no apertar do seu coração: - Vai com Deus, Deus te acompanhe.

Atos como estes fazem parte da nossa identidade enraizada na simplicidade de valores nascidos através da percepção de nossos antepassados. Se para muitos, não passam de caretices do passado, se visto mais de perto, faz-nos perceber, a grandiosidade desses valores que são transmitidos através dele, ou seja, sua essência, que pelas mudanças comportamentais e inversões de valores, principalmente dos jovens “modernos”, perdem cada vez mais força.

Um comentário:

  1. eu não tenho costume de pedir bença , mas qd eu vi minha prima pedindo bença pra minha mãe eu passei também apedir para minha tia e tio achei que devo pedir sim pq e meus tios mesmo qd eu não conhecia eles é muito importante na minha parte é cinal de respeito que tenho com eles ;)

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